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terça-feira, 28 de agosto de 2012

A inveja que mata

“Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis.” (Tiago 4:1-2).

A inveja é um sentimento que leva ao invejoso a idéia de que o bem alheio é considerado um mal próprio. A inveja provém de olharmos o bem do outro e ver que não possuímos, formando um sentimento de inferioridade, incapacidade, deixando-nos menores perante o sucesso alheio.

O coração que se contamina com a inveja vai se tornando amargo, inconformado, revoltado com o que não possui, o que leva à frustração, travando uma competição paranóica com o outro, a ponto de chegar a odiar e até desejar o mal ao invejado. O ser invejoso não se convence da própria mazela, a satisfação dele é ver o outro triste, aniquilado, arrasado e amargurado com as derrotas. Infelizmente, este estado de consciência leva o indivíduo à depressão, ao desânimo, a perder o sentido da vida, que passa a ser vista somente pelo ângulo daquilo que não se tem, de modo que o invejoso é um eterno descontente com tudo e com todos.

A inveja tem por características o desejo por atributos, posses, status, habilidades de outra pessoa. Não é necessariamente associada a um objeto: sua característica mais típica é a comparação desfavorável do status de uma pessoa em relação à outra.

O ser em posse da inveja vive desconfiado, como se estivesse numa espécie de estimulante ou droga que penetra a consciência, mesmo que venhamos a imitar o desenvolvimento ou a capacidade do outro, porque achamos positivo, caímos na essência da mesma que é a comparação, e a cada ato de comparação nos afastamos ou aniquilamos a nossa própria realidade, destruindo tudo aquilo que tínhamos formado a nosso respeito.

A inveja é como uma árvore que tem raízes e frutos. A raiz da inveja é a vanglória, e seus frutos são a maledicência, que consiste em falar mal dos outros e difamar a vida alheia, e a insatisfação constante, pois o invejoso acha que a felicidade está sempre “na casa do vizinho” e é, assim, incapaz de se satisfazer com aquilo que tem.

Conforme São Tomás de Aquino, a inveja tem a sua raiz no orgulho. A vanglória é o desejo de se destacar em função do brilho e não do bem em si mesmo, do sucesso ou o bem alcançado, de modo que o sucesso passa a ser a meta de vida, a ponto de se fazer qualquer coisa para alcançá-lo. Não que o sucesso seja ruim, ele é bom, mas não se pode viver em função dele, ou seja, nossa felicidade não está em função do sucesso ou dos bens e, sim, em função de nossa comunhão com Deus.

O grande Santo Agostinho dizia que “a inveja é o pecado diabólico por excelência”. E se referia a ela como “o caruncho da alma, que tudo rói e reduz a pó”. A inveja é amiga daquele que não suporta a felicidade dos outros, e que não se conforma em ver alguém realizado, melhor do que ele mesmo. Fica torcendo pelo mal do outro e, quando este fracassa, diz no seu interior: “bem feito!”.

o invejoso não aparece. Ele se esconde, é sorrateiro, resguardado pelo seu nome que é uma capa, pois ninguém sabe quem é ele. O nome de alguém que nada fez é um nome que vale como uma máscara de ladrão. Pode usar o nome, mas o nome não diz nada. É assim que o invejoso, o “fraco” de Nietzsche, age rotineiramente: ele é como o inseto, também um exemplo nietzschiano, que muda de cor para se parecer com a paisagem. A covardia e a inveja são irmãs.

Por isso, diz o iluminado Buda: Se julgarmos os outros, isso cria em nós emoções negativas como a cólera, o ódio, a inveja, e isso entrava nossa saúde física e psíquica. A agitação mental causada por nossos julgamentos pode mesmo nos fazer perder o sono e nos fazer viver, sem cessar, sob tensão. Respeitar os outros como eles são é o que existe de mais salutar para nosso corpo e para nosso espírito. É a própria essência do Mahayana: “Considero todos os seres vivos mais preciosos que as mais preciosas pérolas. Possa eu por todo o tempo cuidar deles, e isso me levará ao objetivo”.


EDUARDO AUGUSTO LOURENÇO




 




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