Ali não havia eletricidade.
Por isso foi à luz de uma vela mortiçaQue li, incerto na cama,
O que estava à mão para ler — A Bíblia, em português (coisa curiosa),
feita para protestantes.
E reli a "Primeira Epístola aos Coríntios".
Em torno de mim o sossego excessivo de noite de província
Fazia um grande barulho ao contrário,
Dava-me uma tendência do choro para a desolação.
A "Primeira Epístola aos Coríntios" ...
Relia-a à luz de uma vela subitamente antiqüíssima,
E um grande mar de emoção ouvia-se dentro de mim...
Sou nada...
Sou uma ficção...
Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo?
"Se eu não tivesse a caridade."
E a soberana luz manda, e do alto dos séculos,
A grande mensagem com que a alma é livre...
"Se eu não tivesse a caridade..."
Meu Deus, e eu que não tenho a caridade
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Hoje vendo as reportagens e ao mesmo tempo sentindo na pele toda a angústia de ver meus entes queridos, meus amigos, meus alunos vivendo a tragédia da perda...
Perda de bens materiais, dói sim!
"É uma vida inteira de luta - dizia alguém- Sabemos o preço de cada tijolinho colocado nas paredes...
Sabemos o tamanho dos pregos que prendem as formas do concreto das vigas...
Sabemos das vezes que juntos saímos de casa não para tomar uma cerveja com os amigos, mas para economizar para a construção da casa... construção do sonho...
E hoje, depois que a água levou tudo, misturada no barro vermelho, o que sobrou?
Se nem a companheira de tantos anos ficou. Foi levada também junto à correnteza. E na minha impotência vi tudo sendo carregado...
Casa, esposa, sonhos, uma vida inteira foi levada.
Sabe o que me conforta?
A certeza da vida eterna. Casa eu contruo outra, nem que leve o resto da vida.
Sonhos se refazem diante da necessidade de sobreviver.
Minha amada esposa, companheira de luta, minha amiga, eu te amei a vida toda
e não vai ser agora que vou deixar de te amar.
Nos reencotraremos um dia... pra matar as saudades
até lá!"
E reli a "Primeira Epístola aos Coríntios".
Em torno de mim o sossego excessivo de noite de província
Fazia um grande barulho ao contrário,
Dava-me uma tendência do choro para a desolação.
A "Primeira Epístola aos Coríntios" ...
Relia-a à luz de uma vela subitamente antiqüíssima,
E um grande mar de emoção ouvia-se dentro de mim...
Sou nada...
Sou uma ficção...
Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo?
"Se eu não tivesse a caridade."
E a soberana luz manda, e do alto dos séculos,
A grande mensagem com que a alma é livre...
"Se eu não tivesse a caridade..."
Meu Deus, e eu que não tenho a caridade
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Hoje vendo as reportagens e ao mesmo tempo sentindo na pele toda a angústia de ver meus entes queridos, meus amigos, meus alunos vivendo a tragédia da perda...
Perda de bens materiais, dói sim!
"É uma vida inteira de luta - dizia alguém- Sabemos o preço de cada tijolinho colocado nas paredes...
Sabemos o tamanho dos pregos que prendem as formas do concreto das vigas...
Sabemos das vezes que juntos saímos de casa não para tomar uma cerveja com os amigos, mas para economizar para a construção da casa... construção do sonho...
E hoje, depois que a água levou tudo, misturada no barro vermelho, o que sobrou?
Se nem a companheira de tantos anos ficou. Foi levada também junto à correnteza. E na minha impotência vi tudo sendo carregado...
Casa, esposa, sonhos, uma vida inteira foi levada.
Sabe o que me conforta?
A certeza da vida eterna. Casa eu contruo outra, nem que leve o resto da vida.
Sonhos se refazem diante da necessidade de sobreviver.
Minha amada esposa, companheira de luta, minha amiga, eu te amei a vida toda
e não vai ser agora que vou deixar de te amar.
Nos reencotraremos um dia... pra matar as saudades
até lá!"


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