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sábado, 17 de agosto de 2013

De repente um olhar



Quem será?

Através dos óculos escuros, percebo uma forte energia surgindo no ar. Dentro de mim, o sangue irrigando meu coração que lateja, bate forte, quase dói.

Estranho, devo estar ficando louca. A razão me diz: Continue seu caminho que já vai passar. Obedeço. Mas outra vez, lá estão aqueles óculos escuros em meu caminho. O sol ofuscando sua visão, mesmo sendo escuros os óculos , os olhos recebem a luz, ou talvez emanem a luz. O que eu sinto são fortes batidas, mais fortes que antes, mais latejantes, dói.

Novamente a razão me diz: Siga!

Dessa vez escuto, mas não tenho a mínima vontade de obedecer. Meu rosto já se transformou e meu sorriso encheu todos os espaços antes encobertos por silêncios.

Sem me desligar desta surpreendente sensação sento-me a aguardar algum transporte que me leve de volta a realidade, pois neste momento tudo parece um sonho.

“Vai pra cidade? Quer uma carona?”

O sonho continua. Um turbilhão de emoções em uma fração de segundos. Não vá! Diz a razão.

Sim! Diz meu coração que neste momento parece ter o dobro do tamanho.

As mãos trêmulas, as pernas bambas, os olhos presos naqueles óculos escuros voltados em minha direção.

Sua voz ainda fala em minha cabeça, seu perfume ainda penetra meus sentidos, suas mãos ainda povoam minhas lembranças.

Durante a conversa descontraída, só consigo tentar imaginar quem é você. Como posso sentir tudo isso por um completo estanho!

Neste momento, não penso em amizade, em solidariedade ou em qualquer outra forma de me relacionar com você, pois minha vontade de te beijar é gritante.

Chegamos. Nem vi por onde viemos. Só sei que chegamos. Nossas mãos se tocam em uma falsidade que até me envergonho. Não é isso que eu quero, não quero te cumprimentar com um aperto de mãos. Quero te abraçar, sentir esse perfume mais de perto, sentir o calor da sua pele na minha, sentir o seu toque. Meus olhos se dirigem para sua boca enquanto minha mão suada aperta a sua numa despedida hipócrita.

Saio. Me maldizendo por saber que nunca mais te verei. Como pude sair assim?  Porque não pedi pra ir mais a frente, inventei uma desculpa pra não te deixar ir embora!

Meu coração que agora tem o triplo do tamanho me cobra furioso por uma resposta. Minha razão se calou, um silêncio mortal.

Neste diálogo interior, nem percebo um carro se aproximando e lá de dentro uma mão estendida me oferece algo. Seu cartão! Telefone, e-mail, nome!

Meu Deus! Ainda bem que ele consegue pensar, porque eu já não sei nem respirar mais. Não posso dizer nada, porque se abrir minha boca o coração que agora tem o quádruplo do tamanho voa pela boca. A dor se estende pelo meu estômago, indo até mais embaixo como uma facada certeira na região mais íntima do meu ser.

Vai existir um amanhã!

Hoje, faz uma semana que tudo aconteceu e ainda consigo reviver cada minuto.