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domingo, 21 de novembro de 2010

A quarta árvore

Uma semente caiu na terra e morreu. Morreu para ressussitar como planta. Veio a chuva, molhou a terra e fez germinar o sonho de se tornar visível, admirada.
Durante algum tempo a pequenina muda sentiu-se sozinha e inútil, afinal, ali naquele lugar de clima seco em meio a pedras e tráfego de animais, o que ela poderia fazer pra se defender? Gente passando pra lá e pra cá, gritaria de crianças correndo, mulheres sentando-se a seu lado... quase em cima da mudinha solitária e sonhadora.
Os anos passaram, suas raízes cresceram. Aos poucos se tornava uma árvore. Aprofundando-se no chão suas raízes lhe davam certa segurança para que crescesse e desenvolvesse grandes galhos.
Tornou-se então uma figueira,mas não como as outras figueiras de Jeruzalém. Ela era considerada de qualidade inferior, produzia figos, mas seus figos não eram considerados bons, afinal, teve que se virar sozinha no mundo, sem cuidados foi crescendo e tentando fazer o melhor possível, mas não é fácil alcançar o primeiro lugar lutando contra tudo e contra todos para sobreviver. Tantas vezes precisou de uma poda, mas ninguém ligou. Ninguém foi capaz de lhe cortar os galhos que se espalhavam pra todos os lados incomodando os transeuntes, que os empurravam reclamando que eram inconvenientes.
Sentiu-se inútil, a figueira, nada que ela fazia agradava. Alguém um dia passando pelo caminho pegou um de seus frutos minguados e comentou com descaso que se tratava de um sicômoro.
Agora ela descobriu que tinha um nome. Sicômoro, árvore de raízes profundas e galhos fortes, mas frutos de qualidade inferior.
A falta de cuidado fez com que se tornasse sem atrativos; ela tinha consiência disso. Não esperava galanteios, mas ansiava um dia ser útil. Como suas amigas que se tornavam portas, casas... ouviu um dia a história de uma que queria ficar no alto de uma montanha pra que quando as pessoas olhassem para ela lembrassem de Deus. Qualquer coisa desse tipo já lhe faria feliz, pois alí plantada a beira do caminho, que destino poderia ter?
Mas que estranho, uma multidão se aproxima da árvore que assustada tenta se encolher o máximo possível pra não incomodar mais com seus galhos enormes. Pessoas a rodeam, pisam em suas raízes,a árvore desesperada sem entender nada gostaria de voltar a ser semente, só pra não atrapalhar o caminho de ninguém.
Não tinha servido pra nada nesta vida, tava plantada lá na beira daquele caminho que levava a Jericó. O desespero tomou conta da árvore quado derrepente um homem muito pequeno tentava subir em seus galhos. Ela não sabia do que se tratava aquilo, ele não tinha a cara muito boa, as pessoas pareciam ter certa aversão por ele. Gritavam e chingavam, o chamavam de ladrão. Bem ela pensou que talvês eles tivessem algo em comum então abaixou um de seus galhos e o ajudou a subir o mais alto que podia. Lá no topo o pequeno homem começou a gritar, mas no meio de tanta algazarra ninguém o ouvia.
A árvore então no intuito de ser útil decidiu que este seria a grande chance de realizar seu sonho. Esticando seus grandes galhos, começou a balançá-los pra lá e pra cá. Com o barulho das folhas e o assombro da multidão que pensava se tratar de um vendaval, a árvore atraiu para sí o olhar Dele. Jesus voltou-se para a direção da árvore e disse que queria jantar na casa d'aquele homem.
Ela conseguira. Seus esforços foram recompensados, pois ajudou Zaqueu, era assim que o chamavam, a ver Jesus.
A árvore não entendeu direiro porque tantos se revoltaram, afinal, Jesus tinha o mais belo olhar que ela jamais vira em sua vida. Recordou-se de quando era uma pequena mudinha na beira do caminho, sendo chutada, outras vezes completamente ignorada. mas Jesus,não. Olhou pra ela com um amor transbordante, um olhar de misericórdia, de perdão, de Rei.
Dentro do olhar de Jesus a árvore pode se reconhecer. Tudo tinha valido a pena. O mal tempo, a seca, a solidão...
Lá se foram eles. O homenzinho desta vêz nem precisou de ajuda. Pulou no chão e correu pra casa pra começar vida nova. E a árvore, sentia-se a mais bela árvore da terra, pois refletida no olhar de Jesus tudo se transformara.
Mais tarde ficou sabendo que sua amiga, aquela que queria ficar no alto da montanha, também tinha realizado seu sonho., e mais ainda,  transformada em cruz pode ter Jesus em seus braços.

Todos os direitos reservados: Rosane N. G. Bertoloti com ajuda do Espirito Santo, é claro!!