Powered By Blogger

sábado, 15 de janeiro de 2011

a vida

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. 
Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. 
Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.


Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. 
Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. 
Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
 Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.


Você vai para colégio, 
tem várias namoradas,
 vira criança, 
não tem nenhuma responsabilidade, 
se torna um bebezinho de colo,
volta pro útero da mãe, 
passa seus últimos nove meses de vida flutuando.
 E termina tudo com um ótimo orgasmo! 
Não seria perfeito?

(Charles Chaplin)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ali não Havia Eletricidade

Ali não havia eletricidade. 
Por isso foi à luz de uma vela mortiça
Que li, incerto na cama,
O que estava à mão para ler — A Bíblia, em português (coisa curiosa),
 feita para protestantes.
E reli a "Primeira Epístola aos Coríntios".
Em torno de mim o sossego excessivo de noite de província
Fazia um grande barulho ao contrário,
Dava-me uma tendência do choro para a desolação.
A "Primeira Epístola aos Coríntios" ...
Relia-a à luz de uma vela subitamente antiqüíssima,
E um grande mar de emoção ouvia-se dentro de mim...
Sou nada...
Sou uma ficção...
Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo?
"Se eu não tivesse a caridade."
E a soberana luz manda, e do alto dos séculos,
A grande mensagem com que a alma é livre...
"Se eu não tivesse a caridade..."
Meu Deus, e eu que não tenho a caridade

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

Hoje vendo as reportagens e ao mesmo tempo sentindo na pele toda a angústia de ver meus entes queridos, meus amigos, meus alunos vivendo a tragédia da perda...

Perda de bens materiais, dói sim!

"É uma vida inteira de luta - dizia alguém- Sabemos o preço de cada tijolinho colocado nas paredes...

Sabemos o tamanho dos pregos que prendem as formas do concreto das vigas...

Sabemos das vezes que juntos saímos de casa não para tomar uma cerveja com os amigos, mas para economizar para a construção da casa... construção do sonho...

E hoje, depois que a água levou tudo, misturada no barro vermelho, o que sobrou?

Se nem a companheira de tantos anos ficou. Foi levada também junto à correnteza. E na minha impotência vi tudo sendo carregado...

Casa, esposa, sonhos, uma vida inteira foi levada.

Sabe o que me conforta?

A certeza da vida eterna. Casa eu contruo outra, nem que leve o resto da vida.

Sonhos se refazem diante da necessidade de sobreviver.

Minha amada esposa, companheira de luta, minha amiga, eu te amei a vida toda

e não vai ser agora que vou deixar de te amar.

Nos reencotraremos um dia... pra matar as saudades

até lá!"

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A Caridade

No universo a caridade
Em contraste ao vicio infando
É como um astro brilhando
Sobre a dor da humanidade!

Nos mais sombrios horrores
Por entre a mágoa nefasta
A caridade se arrasta
Toda coberta de flores!

Semeadora de carinhos
Ela abre todas as portas
E no horror das horas mortas
Vem beijar os pobrezinhos.

Torna as tormentas mais calmas
Ouve o soluço do mundo
E dentro do amor profundo
Abrange todas as almas.

O céu de estrelas se veste
Em fluidos de misticismo
Vibra no nosso organismo
Um sentimento celeste.

A alegria mais acesa
Nossas cabeças invade...
Glória, pois, á Caridade
No seio da Natureza!

Estribilho

Cantemos todos os anos
Na festa da Caridade
A solidariedade
Dos sentimentos humanos. (Augusto dos Anjos)



Ontem, Petrpópolis, Nova Friburgo e Teresópolis, vieram a baixo com uma tromba dágua.
O que dizer?
Olhando aquele mundo de água... Só nos resta a caridade... a solidariedade... e a proteção de Deus!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O amor e a moda

"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida." Fernando Pessoa"

Já ouvi muitas vezes a expressão: Troca de namorado como troca de roupa.

É mesmo assim que funciona a paixão. A gente olha, como que para uma vitrine, sente uma vontade enorme de ter e de usar. Entra nessa relação com uma felicidade imensa. Uma euforia entorpecente, que anestesia as dores da última aquisição já desbotada... Batida.

Experimentamos. O toque sobre a pele define se levaremos adiante ou não; porque se não tiver um “feeling” não vai rolar.

Ás vezes tudo nos cai como uma luva. Alinha-se perfeitamente às curvas do corpo, Não aperta nada, nem incomoda em nada. Traz-nos a sensação de bem estar, felicidade, que realmente dura enquanto dura.

Às vezes, a gente olha, mas quando experimenta se decepciona. Não era bem assim que tínhamos imaginado. Não caiu bem, ficou curta, aliás, é difícil encontrar alguém a minha altura!

Bem, mas sempre dá pra fazer uns ajustes. Aperta-se um pouquinho aqui, alarga-se um pouquinho de lá. Com um pouco de uso acaba-se cedendo e tomando a forma ideal de um bom relacionamento.

Dependendo, dá até pra fazer parte do nosso dia-a-dia. A gente não enjoa. Muda o acessório e parece que tudo se renova...

Torna-se tão confortável que não trocamos por nada. Pode ser mais novo, mais bonito, mais caro. Não importa; porque não abrimos mão do bem estar; da paz; da tranqüilidade.

Enquanto isso, tantas outras peças são jogadas no fundo do guarda-roupa. Por mais na moda que estejam não nos apetece. Tem umas que apertam tanto, que não dá nem pra respirar. Outras de tão largas se perdem pelo caminho e a gente nem sabe onde.

Pura desilusão.



 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

qual a sensação de se estar apaixonada?

Gosto da sensação de estar apaixonada,
Sei lá se algum dia eu já fui...
Quando a coisa esfria eu me desinteresso. E aí vem o tédio. Que saco!
Será que a culpa é minha?
Vivo me reinventando,
o tempo todo mudando,
sempre me aprimorando.
Nesse ponto eu olho pros lados e vejo só pessoas novas.
 Cadê meus velhos amigos, meus velhos amores? Por onde andam?
 Ahh tá! Esqueci. Lá por onde eu passei um dia. Continuam lá. No mesmo lugar.

O que eu gosto mesmo é da sensação de estar apaixonada.
Apaixonada mesmo sabe-se lá se um dia já fui...
E se a sensação passa já logo me decido:
Preciso de uma nova paixão, pois não sei viver sem essa sensação!
 Continuo assim a caminhada.

E pra trás vão ficando meus novos amores que agora já estão velhos.
Os mesmos que me deram a sensação de felicidade,
 paz, loucura, brilho nos olhos, pele reluzente, cabelos resplandecentes...
Todos se perdem no espaço e no tempo. Vão ficando...
E eu vou embora conhecendo novas pessoas, novos amores.
Apaixonada mesmo sabe-se lá se um dia já fui!

Como diria Guimarães Rosa
 “o verdadeiro homem não é aquele que conquista várias mulheres, mas aquele que conquista a mesma mulher várias vezes”
Tá faltando isso na minha vida.
Preciso ser reconquistada de novo e de novo e de novo!
Porque eu gosto mesmo é da sensação de estar apaixonada.
Apaixonada mesmo sabe-se lá se um dia já fui...