Aprendi a voar...
Com o passar do tempo, eu estou descobrindo que algumas atitudes não merecem nenhum tipo de reação. Elas vêm e acabam por não ter mais o poder que tinham antes. As situações são, muitas vezes, as mesmas e provenientes de uma fonte que já nos desestabilizou em outros momentos. O que, então, teria mudado? A resposta é simples: eu mudei. Em outras palavras, o que mudou foi a minha atitude diante do fato e não o fato em si.
Hoje, quando percebo alguma atitude que um dia me magoou muito, penso que esse alguém que está tentando me agredir ou me provocar deve se sentir tão fragilizado que não encontra uma outra forma de se fazer notar senão recorrendo ao mesmo ato que um dia tanto me feriu. Chego a sentir pena da sua estratégia de sobrevivência baseada em mecanismos conhecidos de infelicidade. E, consciente dessa realidade, acabo por não me incomodar mais com isso.
Houve uma época, logo no início desse processo, em que certas atitudes me faziam sentir um lixo. Quanta besteira. Eu não sou mais nem menos do que ninguém. Apenas não quero dar ao outro o poder e as chaves para mudar o meu dia, ou melhor, mudar a minha percepção sobre o dia, a vida, o mundo. E vou ainda mais longe: até os aplausos e as críticas já não me fazem mais tanto sentido.
A vida tem me ensinado que assim como as provocações são, em geral, fruto de questões mal resolvidas do outro em relação a mim, as críticas e os elogios são também impressões, muitas vezes, fruto da imaginação e da percepção do outro. Diante das críticas e dos aplausos, acho prudente manter um certo distanciamento para enxergar melhor.
Quanto mais me liberto dessas amarras e armadilhas, mais me sinto pronto para começar, enfim, o meu próprio vôo. E já a uma certa distância, olho para trás e acho graça das coisas que um dia me inquietaram e se mostraram tão determinantes a ponto de me roubarem a alegria e a paz da alma.
Dessa forma, provocações, críticas e aplausos passam a ocupar um mesmo espaço dentro de mim: o da contemplação serena. Afinal, tudo isso, muitas vezes, não passa de mera ilusão que serve apenas para distrair os que ainda não descobriram o poder das próprias asas.
Hoje descobri o prazer de voar nas ondas do vento que me leva a viajar. E nessas viagens conheço pessoas, troco esperiências e ja não tenho mais tempo pra me incomodar com as atitudes arrogantes dos outros.
A vida é bela!
baseado no texto de Dalcides Biscalquin.
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