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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O amor e a moda

"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida." Fernando Pessoa"

Já ouvi muitas vezes a expressão: Troca de namorado como troca de roupa.

É mesmo assim que funciona a paixão. A gente olha, como que para uma vitrine, sente uma vontade enorme de ter e de usar. Entra nessa relação com uma felicidade imensa. Uma euforia entorpecente, que anestesia as dores da última aquisição já desbotada... Batida.

Experimentamos. O toque sobre a pele define se levaremos adiante ou não; porque se não tiver um “feeling” não vai rolar.

Ás vezes tudo nos cai como uma luva. Alinha-se perfeitamente às curvas do corpo, Não aperta nada, nem incomoda em nada. Traz-nos a sensação de bem estar, felicidade, que realmente dura enquanto dura.

Às vezes, a gente olha, mas quando experimenta se decepciona. Não era bem assim que tínhamos imaginado. Não caiu bem, ficou curta, aliás, é difícil encontrar alguém a minha altura!

Bem, mas sempre dá pra fazer uns ajustes. Aperta-se um pouquinho aqui, alarga-se um pouquinho de lá. Com um pouco de uso acaba-se cedendo e tomando a forma ideal de um bom relacionamento.

Dependendo, dá até pra fazer parte do nosso dia-a-dia. A gente não enjoa. Muda o acessório e parece que tudo se renova...

Torna-se tão confortável que não trocamos por nada. Pode ser mais novo, mais bonito, mais caro. Não importa; porque não abrimos mão do bem estar; da paz; da tranqüilidade.

Enquanto isso, tantas outras peças são jogadas no fundo do guarda-roupa. Por mais na moda que estejam não nos apetece. Tem umas que apertam tanto, que não dá nem pra respirar. Outras de tão largas se perdem pelo caminho e a gente nem sabe onde.

Pura desilusão.



 

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