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terça-feira, 31 de agosto de 2010

lixo hi-tech


O consumismo é uma ameaça cada vez mais grave para o Meio Ambiente. A reciclagem não dá conta de aproveitar todo o material descartado pelas pessoas.

Tirado do blog do planeta da revista época, esse artigo fala sobre os novos sonhos de consumo dos brasileiros.

“Meu primeiro aparelho celular durou sete anos. O segundo, três anos. Na semana passada eu troquei de plano e me ofereceram um modelo novo. Agradeci e recusei. A operadora insistiu, argumentando que o modelo novo fazia uma série de coisas e era gratuito. Ao final, abriram o jogo. Eu "tinha" que trocar de modelo.

No final do primeiro semestre de 2007, o Brasil estava com 102 milhões de linhas de celulares. Assim como em todo equipamento eletroeletrônico, os celulares são de difícil reciclagem, porque encerram uma combinação de diferentes materiais. Entre as substâncias que compõem os circuitos de materiais eletroeletrônicos, estão vários metais pesados. Um estudo da Unicamp colocou circuitos integrados em contato com água, para simular o seu efeito em contato com o ambiente, e descobriu que elas liberam grandes quantidades de cádmio e chumbo. Não seria bom para a sua saúde, ter uma montanha de circuitos integrados nos fundos da sua casa, mas como trocamos de celular, TV, geladeira, entre outros, cada vez em períodos mais curtos, o lixo acaba sendo inevitável.

O grande objeto de desejo agora são as TVs de plasma. Para onde vão os tubos catódicos das TVs antigas? Cada um deles contém até 4 kg de óxido de chumbo. A cada TV moderna que entra na sala de visitas da zona sul, outra deixará alguma sala na periferia em direção ao lixão. Mas isto não é problema, afinal, os lixões nunca ficam na zona sul. Eles estão sempre na periferia.

O precursor da obsolescência programada são as lâminas de barbear descartáveis. Um homem precisa ter mais habilidade e tempo para barbear-se com uma navalha que com uma lâmina descartável. O conceito econômico que usamos, é que se gastarmos tempo com uma coisa banal, como fazer a barba, deixaremos de ganhar dinheiro.


Efraim Rodrigues é doutor pela Universidade de Harvard e professor de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina

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